18 de setembro de 2007

Divulgação

Abre hoje, no café concerto do Teatro Municipal da Guarda, a minha exposição que se intitula Grand Tour. Vão lá vê-la, e aproveitam para comer no Belo Horizonte, tomar um copo no Zincos ou no Ponto G ou no Rock On, e já agora ver a obra.
O site do Teatro aqui.


Aqui vão as notas da exposição:

Grand Tour é um projecto que sintetiza numa parede três semanas de investigação arquitectónica. Os desenhos foram feitos no local, em Julho de 2007, em Inglaterra. Representam uma análise arquitectónica de cerca de 30 edifícios, e provêm de dois cadernos de viagem. Nesta instalação, encontram-se ampliados e ordenados cronologicamente da esquerda para a direita e de cima para baixo. Os instrumentos utilizados são o lápis de grafite, a esferográfica e o marcador.

O nome Grand Tour é cheio de ironias. No século XVIII, era o nome dado à viagem dos jovens nobres e/ou abastados em Inglaterra, enviados ao Continente para se cultivarem. O ponto alto era Roma, onde os bárbaros medievais ingleses encontravam a pureza e o fascínio do Mundo Clássico, que depois levavam para a terra-mãe. E levavam-nos através de pinturas e esculturas que compravam ao longo do periodo no estrangeiro, mas também estudando a arquitectura que rareava no seu país, e que viam como forma de os distinguir dos comuns. Construíram, à chegada, casas de campo e de cidade que reflectiam essa paixão pela Antiguidade, muitas vezes mais idealizada que real. Hoje em dia, quando vamos a Inglaterra ver esses produtos do Classicismo, eles parecem-nos assim ainda mais clássicos que no continente porque foram abstracizados da sua concepção original, libertados de todo o contexto italiano ou francês. Essa é uma ironia, mas a outra é o facto de estes desenhos serem, tal como os dos arquitectos há mais de 200 anos atrás, desenhos úteis. Procuram resolver problemas arquitectónicos, e não ser particularmente belos ou apelativos. São desenhos de estudo, com um propósito claro - construir com métodos e linguagens tradicionais. A ironia está no facto de essa ser hoje em dia uma actividade tão marginal que Grand Tour perdeu qulquer grandiloquência, e passou assim ao domínio do especialismo.

Alexandre Gamelas, 4 de Setembro de 2007

3 comentários:

Pedro Varela disse...

naum paras! é assim... já que tás por aí, ao menos dá-lhe!

DMNY disse...

depois da guarda, ve la se a trazes aqui para chelsea ;)

Anónimo disse...

Uma exposição com 'cadernos de viagem'...quem diria!
Bem gostava de ir, até porque não conheço o teatro.